O SOBREVIVENTE

BREVE HISTÓRIA GERAL

Primeiramente, não há certeza de quem é o inventor do rádio. Alguns afirmam que o sistema de transmissão de som através de ondas foi criado pelo italiano Marconi, outros dizem ser o sérvio Nicola Tesla. Até o Brasil está representado nessa “disputa” – pelo padre gaúcho Roberto Landell de Moura, que expôs em São Paulo os seus inventos e teve seu trabalho reconhecido através de méritos de pioneirismo.

Mas foi um americano que, em um momento histórico, fez a primeira transmissão radiofônica. O sujeito em questão é Lee de Forest. Em 1906, ele testou uma válvula tríodo como componente de amplificação eletrônica. O mesmo americano, no ano seguinte, transmitiu programas musicais para a cidade de Nova Iorque. Apesar de experimental, essa transmissão é considerada a primeira com audiência.

Em 1921, um passo maior foi dado. As transmissões, que até então eram locais, passaram a ser internacionais – graças ao surgimento do que dá nome ao nosso blog: ondas curtas.

BREVE HISTÓRIA BRASILEIRA

A primeira emissora surgiu em 1923, com o nome de Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Dezoito anos mais tarde, estreia o programa que viria a ser o marco do radiojornalismo brasileiro: Repórter Esso – A Testemunha Ocular da História. A partir da metade da década de 50, a televisão se popularizou e o rádio começou a perder seus espaços. Desde a década de 70, o FM começa a ter força no país.

Desde 2005, o rádio vem entrando no seu último estágio. Se trata das transmissões digitais. Comemorando os 84 anos do rádio no Brasil, se inicia em 23 de setembro as primeiras transmissões nesse sistema, que até hoje não estão enraizadas no Brasil – e funcionam apenas através de testes.

RÁDIO NA INTERNET

Décadas depois, surge mais um veículo de comunicação no mundo: a Internet. Aquilo que, inicialmente, poderia prejudicar o meio radiofônico, foi responsável por mais uma evolução na história do rádio: as webradios – uma relação mútua entre rádio e Internet.

Sobre o assunto, Guilherme Baumhardt, jornalista e editor-chefe da Band News FM, destaca que “a web abriu oportunidade para rádios segmentadas, destinadas ao público feminino, GLS, religioso e do agronegócio, entre outros”.

A RELAÇÃO ENTRE O RÁDIO E QUEM SE BENEFICIA DELE

Em todas as áreas do jornalismo, a relação entre o público e veículo veio mudando através dos anos juntamente com a tecnologia. A evolução técnica fez os meios terem que se adaptar a uma nova realidade. As pessoas hoje não se satisfazem apenas em receber a informação, elas querem também participar da formação do conteúdo, que é cada vez mais segmentado. Embora a ideia de interatividade pareça atual, não se deve esquecer que o radiojornalismo foi o pioneiro através, por exemplo, do uso do telefone em sua programação, contribuindo com o estreitamento da relação entre jornalista e público.

Sobre a interatividade jornalismo-público, Baumhardt enfatiza que “há 30 anos, a comunicação do público com os veículos de comunicação era feita por cartas e telefonemas, depois vieram os e-mails e as mais recentes são o torpedo de celular e a comunicação via messenger”. Isso mostra uma evolução proporcional entre o próprio jornalismo (especificamente radiojornalismo) e a sua relação com quem se beneficia da informação (no caso, os ouvintes).

Em resumo, o rádio se modernizou. “A linguagem não é mais a mesma. Hoje o rádio é mais dinâmico, mais informal e espontâneo, próximo do cotidiano das pessoas, principalmente nas estações FM”, reitera o jornalista, que prossegue: “a voz do locutor não é mais aquela voz de canhão (vozerão), apesar de algumas rádios tradicionais, como a Guaíba, preservarem esses locutores”.

Essa modernização, no entanto, pode não agradar diferentes nichos de espectadores, pois muitos não acompanham as evoluções técnicas ou tecnológicas. O rádio passou de objeto mais cobiçado da sociedade, aquele que ficava no centro da sala de estar, para coadjuvante. Mas será que o rádio passou a desinteressar o público? Segundo o gerente do IBOPE Domício Torres, essa pergunta não tem resposta. “Para respondê-la, somente realizando uma pesquisa pontual, que levante opiniões dos entrevistados sobre o assunto. Ressalto que o grau de satisfação pode mudar constantemente. As pesquisas de audiência levantam informação, nunca opinião”, explica.

O fato é que, modernizado ou não, o rádio é um sobrevivente. No decorrer de toda a história e, consequentemente, da modificação da comunicação em geral, esteve e sempre estará presente. A extinção foi até cogitada – na criação da tevê e com a chegada da Internet – mas, indo além de simplesmente se manter, o rádio se inseriu nesses meios.

Editor-chefe da Band News FM comenta relação rádio-público

Editor-chefe da Band News FM comenta relação rádio-público

Ouça o áudio da entrevista com Guilherme Baumhardt:

Parte 1 – Linguagem radiofônica – 2’30”

Parte 2 – Radiojornalismo versus radio-entretenimento – 2’45”

Parte 3 – Radiojornalismo na web e sua linguagem – 3’30”

Parte 4 – Novas formas de interatividade no rádio – 3’40”

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ALLAN KUWER;

FELIPE DALLA VALLE;

IVÁN ANGUES;

JOSÉ ZANANDRÉA.

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